viernes, mayo 22, 2009

As coisas que tiramos do caminho

A avenida é larga e, em uma das margens, condomínios de luxo eletrificados e vigiados. Do outro lado, arranha-céus espelhados refletem a grande cidade que somos, ou que queríamos ser, levados por um sentimento cosmopolita quase ridículo - tendo em conta o que, de fato, acontece lá embaixo, nas margens do rio Pinheiros. O que acontece é a remoção da favela Jardim Edite, uma das mais antigas do Brooklin.

Agora, com a inauguração da tal ponte estaiada (projeto megalomaníaco e não menos pesado ao cofres públicos), o valor do solo na região quase triplicou. O metro quadrado agora vale US$ 4 mil. Por que deixaríamos, portanto, esse valioso pedaço de terra mal-cheiroso na mão de favelados? Por que não retirá-los e construir, no local, um "conjunto habitacional" de luxo?! Pois a resposta não foi hesitante: rolo compressor! O zinco não combina com o mármore.

E assim fazemos. Tiramos do caminho o que incomoda, espelhamos a janela para não ver o que se passa lá fora.


jueves, mayo 14, 2009

Sono da razão


Do blog da Gra, o Nemlixo-Nemluxo, um tapa na cara dos direitos fundamentais, uma doença da humanidade e a radicalização da xenofobia.

Na Itália agora é crime ser imigrante


*CARLES RIBAS, para o El Pais

lunes, mayo 11, 2009

The greatest silence



http://thegreatestsilence.org/

jueves, abril 30, 2009

Diamantes estelares


Às vezes, os cientistas e os jornalistas têm a capacidade de tirar o encanto das coisas mais graciosas – tudo em prol da objetividade e da informação. O quão longe isso está, no entanto, da incerteza e da beleza da realidade.

O que vocês diriam, meus amigos, se descobrissem que fazemos parte de um universo que está repleto de pequenos diamantes?! Que imagem mais linda, de pequenos pontos cintilantes disperso na infinidade negra de tantos buracos, perigos e escuridão.

Quando penso nisso, não me importa o tamanho, o peso, do que são compostos, para quê servem – tudo isso me faria destruir a idéia tão linda de diamantes espaciais, livres, ao alcance de qualquer um que deseje vê-los (apesar de saber que não poderíamos).

Pois eis o que dizem os jorna-cientistas:

“El Universo está repleto de diminutos diamantes tan pequeños como un micrómetro tamaño inferior al grosor de un cabello humano) que se localizan en los discos de residuos que rodean a algunas estrellas, según confirman científicos que estudian en el telescopio Subaru en Hawaii (Estados Unidos).

Aunque en su totalidad estos suponen poco peso para el total del disco de residuos, su volumen puede llegar a ser tan grande como una parte de la Luna. Sin embargo, pocas estrellas con diamantes en su disco han sido identificadas. Así, los expertos han revelado que encontrar diamantes en el espacio requiere condiciones "muy especiales".

(...)

La necesidad de tales condiciones especiales explicaría porqué se ven tan pocas estrellas de estas características. Según los expertos, es posible que haya toneladas de diamantes que todavía el ser humano no puede apreciar a pesar de la tecnología.” (El mundo)

Se ao menos nos deixassem imaginar…
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*Obrigada ao meu amigo João Paulo, que me mandou a notícia graciosa e que, com muita paciência, sempre me ensina sobre o universo que não se vê nos telescópios.

lunes, abril 27, 2009

Retrato brasileiro

O Jonathas participou de um grupo do curso que foi para o Projeto Rondon no início desse ano. A viagem vai dar origem a uma exposição fotográfica e a um documentário. A foto abaixo faz parte do projeto e foi gentilmente cedida pelo meu querido amigo, fotorepórter de futuro e uma das pessoas que provam que é possível no jornalismo como ferramenta de conhecimento e aproximação.

Pedi que ele fizesse uma legenda que resumisse o que ele via ali, no olhar do garoto que terminava de pintar uma linda bandeira do Brasil. Obrigada pelo presente, Jonathas! (Aliás... no site dele, outros belos trabalhos!)


"Estar com crianças é uma bênção que nos faz aprender (ou relembrar) essências da vida. Talvez a mais simples e valiosa seja que um sorriso é uma coisa tão simples mas imaculada. Nós, como fotógrafos, eternizamos instantes. Às vezes instantes tristes e trágicos, que negamos olhar e viramos o rosto para não sentir náuseas. Mas também instantes belos pela sua simplicidade e incrível honestidade com a essência humana. Nesta foto, tirada numa creche de um bairro carente de Monte Alegre, no Pará, o olhar do garoto traduziu, para mim, toda alegria que exalava de seu espírito puro e iluminado." (Jonathas Melo)

lunes, abril 20, 2009

Muros

O cordão seria formado, mais uma vez, como uma demonstração de repulsa à violência que o muro representa. Para alguns, já não havia porque respeitar os 5 km que tecnicamente separam o território saarauí da parede de areia que corta o deserto. Lá estava ela, protegida por militares marroquino, como uma serpente de 2200 km. Brahim Husain Abait, de apenas 19 anos, não ouviu o apelo da Juventude da Frente Polisario. Avançou com todo o seu desespero, com todo o seu orgulho, com toda a dor de nascer no exílio. Pisou numa das minas que, com outras 9 milhões, formam o que pode ser o maior campo minado do mundo. Os gritos de dor foram intercalados com pedidos para que a bandeira saarauí que havia caído de suas mãos fosse devolvida.

Os gemidos de Brahim ressoaram em cada um dos 2500 participantes da manifestação. E chegaram até aqui. Ontem, uma reportagem no canal SPORTV mostrou um pouco do que acontece nos acampamentos de refugiados saarauis na Argélia. Mostrou a vida de outros jovens que já não agüentam esperar atrás da alambrada, que não medirão conseqüências para alcançar algo de que um dia já ouviram falar: a tal da paz. A matéria será reprisada amanhã, dia 20, às 23h.

MUROS - Por Eduardo Galeano

martes, abril 14, 2009

A Somália entrou no mapa


Os cada vez mais frequentes ataques de piratas a embarcações européias e americanas colocaram a Somália no mapa. Como de costume, a resposta enfática dos líderes ocidentais poderá dar conta dos problemas momentâneos gerados pelos ataques. Não mais que isso. Ninguém ainda mostrou sinais de que espiará o que acontece logo ali, em terra firme.

Desde 1995, quando a ONU resolveu abandonar o território controlado por milícias e chefes tribais, o mundo esqueceu das paredes bombardeadas de Mogadiscío. Foi uma desistência multilateral, um atestado de inoperância.

Como diz o jornalista Ramón Lobo, a pirataria é a única indústria que funciona. No ano passado, o negócio rendeu 75 milhões de euros.

Post de Fábio Zanini no blog Pé Na África.


Reportagem fotográfica do ElPais.

jueves, abril 09, 2009

Muto

Não é um vídeo novo, acho que muitos já devem ter visto... mas vale sempre a pena! É do blublu.org.

miércoles, abril 08, 2009

15 anos do genocídio

Para não esquecer... sugiro um multimídia produzido pelo Media Storm (do qual a foto abaixo faz parte).

* Jonathan Torgovnik. Ganhou o Prêmio de Retrato Fotográfico da National Portrait Gallery de Londres. Joseline Ingabire com sua filha Leah Batamuliza, Ruanda.

lunes, abril 06, 2009

Uma coisa


Texto de Noemi Jaffe, publicado edição 28 da revista Piauí. Gostei muito, muito mesmo, a ponto de achar que vale a pena disponibilizá-lo aqui, na íntegra. Quem quiser, pode ler direto do site.

É assim que nos tornamos temporais, fartamente solitários e amantes incompreensíveis da solidão, incapazes, como eu sou de compreender a história infinita

Eu aprendi que qualquer coisa pode se transformar numa história interminável e infinita. A palavra tigre contém o conhecimento de um tigre, de todos os tigres, dos mamíferos, de sua história no planeta, do capim que eles comeram, dos insetos que comeram o capim - da idéia de eternidade contida nos insetos, por oposição à idéia de tempo, propriedade dos mamíferos. Será que então estaríamos condenados a não falar sob pena de que, ao dizermos qualquer palavra, estaríamos traindo a eternidade, o galope dos cavalos e tudo o que ainda não aconteceu? Ou, ao contrário, estaríamos livres para sempre dizer tudo o que quiséssemos, mesmo que aparentemente sem sentido nenhum, já que todas as palavras sempre conteriam todo o conhecimento do mundo e da humanidade? E será que então estaríamos sempre, a todo o momento, realizando o sonho da biblioteca de Babel, do livro dos livros, simplesmente ao falar, mesmo que seja "que horas são"?

Tudo isso era porque eu queria contar um caso simples, que eu achei que, por ser tão simples e maternal, não teria estofo para preencher uma história. Foi então que eu lembrei que havia recentemente aprendido com meu fígado, com as coxas, com os cílios, que todas as histórias são intermináveis e contêm todas as outras que já foram, não foram, serão e não serão contadas, e então eu percebi que sim, que eu poderia contar esta história boba, porque ela conteria também as histórias que todas as mães contaram aos filhos nas casas das aldeias polonesas do século XII, e as histórias que os condenados ao calabouço pensaram antes de morrer, e as histórias que meus sucessores no futuro vão contar sobre um passado distante, quando um pio de passarinho ainda se misturava ao barulho de um motor velho de caminhão.

E a história que minha filha me contou é que o pai dela um dia lhe disse que "nada é perfeito". E ela, como era criança - e como as crianças acreditam na integridade das palavras dos adultos, porque para elas os adultos sempre dizem a verdade, sem saber que na verdade são elas, na sua crença, que são proprietárias da verdade que existe, e que consiste somente em acreditar nela e não em dizê-la, porque no momento em que você diz qualquer coisa você já está mentindo, mas não dizer e acreditar na verdade do que os outros dizem, aí é que está a verdadeira verdade -, ela, minha filha, acreditou que "nada é perfeito". Mas como era possível que nada fosse perfeito? Se aquilo era verdade, como minha filha continuaria acreditando na verdade perfeita do que dizia o pai? Se tudo o que o pai diz é perfeito em si mesmo, independentemente do conteúdo, perfeito só na condição única de ser pronunciado por um pai, como pode então um pai dizer que "nada é perfeito"? Se essa frase é perfeita, por ter sido emitida pelo pai, o que resta do pai? E o pai, que desenha muito bem, desenhou um dos 101 Dálmatas para a minha filha. E o desenho era perfeito, idêntico ao dálmata que aparecia na figura do livro de histórias. E minha filha pensou que era impossível que nada fosse perfeito e entregou-se ao exercício de encontrar algum defeito no desenho do dálmata perfeito, porque seu pai lhe havia dito que nada é perfeito. Se ela achasse perfeito o desenho do dálmata, estaria traindo a verdade do pai. Se, respeitando-o, achasse o desenho do dálmata imperfeito, trairia então sua percepção da perfeição, seu amor à capacidade absoluta de seu pai de desenhar um dálmata perfeito.

É assim, eu imagino, e aqui fiz meu primeiro parágrafo nessa história que eu supunha interminável, mas que agora, por ter posto o parágrafo, percebi que se aproxima do fim, é assim que a credulidade se desequilibra, estremece o pomo da certeza e se transforma numa pergunta, metralhadora sagrada do medo, do sonho e da maldição. É assim, eu acho, e isso já soa como uma moral da história, mas eu não me importo nem um pouco que seja assim, porque eu não tenho nada contra morais de histórias, porque já que as histórias acabam, então que elas acabem alguma hora, e que pelo menos seja com algum pequeno ensinamento, para que a tristeza do fim de qualquer coisa e de qualquer história se carregue de alguma textura táctil e o homem que ouviu a história vá para casa pensativo e tome café e pense se ele quer mesmo trabalhar naquela noite e olhe para sua mulher que está lutando com a boca do fogão que não acende, com um carinho que voltou e logo vai desaparecer. Mas eu dizia que acho que é assim, com a instalação da dúvida como um cabo elétrico instalado por um eletricista numa criança, é assim que o tempo começa a atuar sobre o olhar curioso e o torna um pouco desconfiado.

E é assim que nos tornamos temporais, fartamente solitários e amantes incompreensíveis da solidão, incapazes, como eu sou, de compreender a história infinita, o caso milenar que está a querer me contar aquele cruzamento de duas montanhas, uma mais alta e outra mais baixa, que eu vejo paradas no horizonte. Elas estão falando, ouço o eco de uma história silenciosa, que contém toda a verdade do tempo, das histórias, das palavras e do silêncio. Mas eu não consigo ouvir.
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* Escher

martes, marzo 31, 2009

6 anos no inferno

20 de março de 2003. Invasão do Iraque. Bagdá caiu alguns dias depois, em 4 de abril. Depois de tanto tempo, tempo que poderia ser contado em baixas, já esquecemos de discutir em que circunstâncias uma guerra de agressão se tornou uma guerra "preventiva" - e o tempo passa mais, dificulta mais, esquece mais...

Numa aula de Direito Internacional, o professor levantou uma questão crucial para entender o jogo da guerra: alguns anos antes do fatídico discurso de Bush que terminou - como de praxe - com o "God bless America", e que determinou o início dos borbardeios, os Estados Unidos já finaciavam pesquisas no âmbito jurídico para que se consolidasse a doutrina da guerra preventiva. Era a legitimação necessária para não incorrem no erro de burlar o próprio sistema universalista que ajudaram a construir na ONU e no Conselho de Segurança.

Sim. Não esqueçamos que a ONU mesma nasceu dentro de um sistema de orientação bélica. Mesmo que a palavra não faça parte do vocabulário diplomático - que prefere termos como "paz" ou "manutenção da paz", seja que estado de espírito for esse -, o organismo se baseia na regulamentação da guerra. Legitimar ou não uma invasão?!

A guerra por agressão, que virou guerra preventiva, a conhecida guerra contra o terror é uma das tantas que o tempo parece querer cobrir.

Recomendo um especial multimídia preparado pela Reuters quando o conflito completou 5 anos.
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"Una vez conectados gracias a la nueva técnica, descubrimos que tenemos poco que decirnos." (R. Kapuscinski)

* Jerry Lampen, Reuters

jueves, marzo 26, 2009

Mais Playing for Change

Todos os que assistem pela primeira vez os vídeos do projeto têm reações similares. Ontem foi a vez do Jonathas! Aqui, um videozinho em comememoração ao aniversário de Robert Nesta Marley, o Bob - que foi em 6 de fevereiro! Perdoem o delay...


miércoles, marzo 25, 2009

Para não esquecer

A guerra no Congo não acabou com a captura do líder tutsi Laurent Nkunda. Não acabou porque não se trata apenas de um conflito étnico ou político entre forças congolesas e ruandesas. O problema é que, para nós, é mais fácil entender um conflito que responda à idéia que sempre fazemos dos africanos - estão se matando! Como seria complicado explicar que, por trás das atrocidades cometidas pelos dois bandos, existem interesses econômicos ocidentais. Como sempre, prefirimos manter uma explicação asséptica.

Como bem me lembrou meu amigo João Paulo, uma das principais causas do conflito é a disputa pelo controle das minas de Coltan (columbita + tantalita, dois minerais dos quais se extraem metais para a fabricação de celulares, computadores e estações espaciais). Pois sim: nossos computadores podem estar financiando a guerra em Kivu, que obrigou a mais de 2 milhões de pessoas a deixarem suas casas. A cada quilo que Conltan contrabandeado para Ruanda, a milícia recebe 10 dólares. Por que será que, dos 17 mil soldados da ONU que hoje estão no território (sim! A maior missão de paz das Nações Unidas), apenas centenas foram deslocados para a região?!


martes, marzo 24, 2009

Jornalismo e Direitos Humanos

http://www.pmasdh.com/

Novo blog de jornalistas que promovem a defesa dos direitos humanos como um dois eixos da profissão. Nada mais coerente e necessário!

"La defensa de los Derechos Humanos es una de las tareas primordiales del periodismo y los periodistas no podrán ejercer su labor si sus propios derechos humanos son vulnerados."

Amém.

lunes, marzo 23, 2009

Johnny Osbourne - We need love

Pelas imagens, pela música, pela mensagem...

viernes, marzo 20, 2009

Pão


Sol das 7h batendo na janela do carro, tráfego intenso no sentido contrário, conversando com a Gi sobre impressões compartilhadas.

Quando os respectivos aviões pousaram em Guarulhos – bafo quente e úmido, confusão no desembarque, o português brasileiro em todas as bocas, pão de queijo quentinho na vitrine – o coração acelerou gostoso: em casa! Um sentimento de amor apertou, quase com vergonha, dizendo como é bom voltar para a terrinha. Sem demagogia ou nacionalismo barato – apenas um sentimento puro de segurança, de pertencimento. “Na mesma hora pensei nos saarauis. Agora entendo melhor o que significa para eles a liberdade de voltar para casa”, disse a Gi. Durante a viagem, muitas vezes nos pegamos pensando em como é difícil entender com profundidade o que é a luta pela terra e pelo regresso. Nunca saberemos o quanto dói. Ouvimos palavras como dignidade e direito, mas continuávamos perguntando se a luta valia a vida (alguma vale?!).

Isso tudo para introduzir uma experiência:

Estávamos cansados e certos de que não queríamos outra noite ao relento (o inverno no Saara não é nada amigável). Fomos dormir com uma família de nômades, que nos acolheram com música, comida e carinho. No dia seguinte, fui despertada pela avó que, anos atrás, havia fugido com seus filhos, andando pelo deserto, escondendo-se das bombas que caiam. Não sabe quantos anos tem – e, ao final, qual é a diferença?! "´Os nômades tem uma relação diferente com o Espaço e com o Tempo´", disse um antropólogo espanhol.

Isso tudo torna ainda mais significativo o ritual do pão, que acompanhei naquela mesma manhã fria. Com toda sua sabedoria e um pouco desconfiada, a matriarca perguntou por que eu me interessava tanto por aquilo. Afinal, era apenas água e farinha. Assim de pobre. Assim de insosso. Respondi que esses traços de sua cultura, tão bonita e simples, me ensinam muito sobre sua história. De fato, quanta coisa pensei e aprendi enquanto a via amassar tudo o que tinha naquele jarro antigo; enquanto esquentava a lenha e desenhava um círculo no chão, enquanto abria a massa e, num gesto divino, soltava-a bem em cima de um buraco; enquanto a cobria com areia e sorria indicando que estava feito.

O pão cozinha no calor da sua terra. Estamos nas zonas liberadas do Saara Ocidental, a pequena parte do território que ainda está sob controle saarauí.

martes, febrero 17, 2009

Nenhum ser humano é ilegal

Depois da criminalização da imigração, a Itália apresenta sua nova investida xenófoba: o governo da região de Lacio, onde está a capital Roma, terá seus campos de imigrantes - que são um assombro só por existirem - isolados e vigiados por câmeras e policiais.

A notícia pode ser vista na íntegra aqui.

Qualquer semelhança com os velhos campos de concentração nazis?!

* Refugiadas en la Ceniza, del español Borja Alegría Hernández. La fotografía fue tomada en el barrio Ponte Mammolo de Roma (Italia), un campo de barracas construido por una comunidad de inmigrantes, la mayoría provenientes de Eitrea, a los que se ha concedido refugio al salir de su país huyendo del conflicto que estalló en 1998 entre Eritrea y Etiopía.

lunes, enero 26, 2009


Samuele Pellecchia, da agência Prospekt.

lunes, enero 19, 2009

Enquanto isso, no Brasil...


"O mergulho nas trevas do lamento e da impotência foi tão profundo que alguns se perderam pelos subterrâneos, ficaram na margem ou escolheram as viagens permanentes. Mas muitos cansaram de se lamentar, talvez com medo de se tornarem tristes heróis de uma 'guerra acabada'. Estão voltando a querer, isto é, estão recuperando a vontade para voltar a fazer - apesar de tudo." (Vladimir Herzog)

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Justiça arquiva caso de jornalista Vladimir Herzog, morto pela ditadura


http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=pt-br/node/2724

A juíza federal Paula Mantovani Avelino determinou o arquivamento dos pedidos do Ministério Público Federal para que fossem investigadas criminalmente as mortes do jornalista Vladimir Herzog e do militante de esquerda Luiz José da Cunha, torturados e assassinados por agentes do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) durante a ditadura militar, informaram o Último Segundo e O Globo.

A juíza concordou com a argumentação da procuradoria criminal, que considera os crimes prescritos, disse O Globo. Isto significa que, em ambos os casos, já se passaram mais de 35 anos, tempo superior ao da pena máxima fixada abstratamente para homicídio, explica o Último Segundo.

Outro argumento da juíza foi o fato de o Congresso brasileiro nunca ter ratificado a convenção internacional de 1968, que transforma tortura e assassinatos políticos em crimes imprescritíveis. O Globo acrescenta que entidades civis pretendem levar o caso à Justiça internacional: Chile e Peru não ratificaram a convenção. Isso não impediu que fossem condenados pela Corte Interamericana, disse a procuradora cível Eugênia Fávero.

No dia 24 de outubro de 1975, o jornalista Herzog, que na época era diretor do Departamento de Jornalismo na TV Cultura, apresentou-se na sede do DOI-Codi, em São Paulo, onde iria prestar esclarecimentos sobre o seu relacionamento com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foi preso, torturado e morto no dia seguinte, acusado de ligações com o partido. Leia aqui reportagem do Observatório da Imprensa sobre Herzog.

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Engraçado (para não dizer trágico) pensar nisso no momento em que o Brasil compra briga com a Itália para defender Battisti, do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, condenado por 4 assassinatos. Vai entender...

martes, enero 13, 2009

Apartheid


"SOB O ÓDIO DOS VIZINHOS. Atrocidades da guerra na Faixa de Gaza atrapalham o entendimento de Israel como uma ilha de democracia cercada de ditaduras no Oriente Médio". (Veja, 14 de janeiro de 2009). Mesmo sabendo que não devo mais me surpreender com as pérolas da Veja, não pude deixar de tremer, desconsolada pelas formas de jornalismo que ainda perduram... Por trás do título, uma dúzia de soldados israelenses choravam a morte de um companheiro.

Nosso semanário esqueceu de algumas coisas: (1) O que é democracia? (2) O ódio Israelese também mata - 890 vidas desde 27 de dezembro; (3) Israel fez o que justamente o Hamas esperava: revidou, abalando o poder da Autoridade Palestina e seus esforços em alcançar a paz através da diplomacia; (4) Israel está violando os direitos humanos em tantos pontos que seria impossível enumerá-los aqui; (5) nem a justificativa, nem o custo desta guerra, nem mesmo a possibilidade do objetivo ser alcançado se sustentam; (6) a Palestina e seu direito de existir não pertencem ao Hamas que, há muito tempo, deixou de lutar em prol dos palestinos.

Pois vejam vocês a última façanha da "democracia" israelense: os dois partidos árabes responsáveis por representar 20% da população foram banidos da próxima eleição, que deve ser realizada no começo de fevereiro. Em carta de 2001 endereçada ao jornalista Thomas Friedman, Nelson Mandela já alertava para a nova cara do Apartheid:

"(...) Israel não pensava num 'Estado' e sim numa 'separação'. O valor da separação mede-se em termos da capacidade de Israel para manter judeu um Estado judeu e de não ter uma minoria palestiniana que pudesse no futuro transformar-se em maioria. Se isso acontecesse, obrigaria Israel a tornar-se ou um Estado laico e bi-nacional ou a tornar-se um Estado de apartheid, não só de facto, mas também de direito.

Thomas, se você prestar atenção às sondagens israelitas ao longo dos últimos 30 a 40 anos, vai ver claramente um racismo grosseiro, com um terço da população a declarar-se abertamente racista. Este racismo é do tipo 'Odeio os árabes' e 'quero que os árabes morram' Se você também prestar atenção ao sistema judicial israelita, vai ver que há discriminação contra os palestinianos, e se considerar especialmente os territórios ocupados em 1967 vai ver que há dois sistemas judiciais em acção, que representam duas abordagens diferentes da vida humana: uma para a vida palestiniana, ou para a vida judia.

Além disso, há duas atitudes diferentes sobre a propriedade e sobre a terra. A propriedade palestiniana não é reconhecida como propriedade privada, porque pode ser confiscada. Para a ocupação israelita da Cisjordânia e de Gaza, há um factor suplementar a tomar em conta. As chamadas 'Zonas autónomas palestinianas' são bantustões. São entidades restritas no seio da estrutura de poder do sistema israelita de apartheid.

O Estado palestiniano não pode ser um sub-produto do Estado judeu, só para conservar a pureza judaica de Israel . A discriminação racial de Israel é a vida quotidiana dos palestinianos, porque Israel é um Estado judeu, os judeus israelitas têm direitos especiais de que os não-judeus não beneficiam. Os árabes palestinianos não têm lugar no Estado 'judeu'.

O apartheid é um crime contra a humanidade. Israel privou milhões de palestinianos da sua liberdade e da sua propriedade. Ele perpetura um sistema de discriminação racial e de desigualdade."